"Poderíamos Nós Supor?"

JACK N. GERARD
Autoridade Geral dos Setenta  17 de Março, 2020

Seu padrão reflete o exercício da fé, buscando conhecer a vontade Dele, confiando no Senhor, acatando os conselhos e guardando os mandamentos, mesmo quando você não pode supor o que está por vir?

Meus queridos irmãos e irmãs, sou grato pela oportunidade de falar com vocês hoje. Gostaria de agradecer ao irmão Richardson por sua gentil introdução e a todos os outros que apóiam a missão desta instituição extraordinária. Sou grato que a irmã Gerard e alguns familiares e amigos puderam se juntar a nós hoje. Fazendo essa transmissão pelo Marriott Center, parece um pouco solitário sem a presença de cada um de vocês. Devo dizer que estava ansioso para ver seus semblantes e sentir seu espírito. Vocês são um grupo notável e inspirador de indivíduos. Mas, também fico feliz em saber que vocês estão seguindo a orientação profética, e me uno ao Presidente Russell M. Nelson, ao convidar suas orações por aqueles que sofrem enquanto nos protegemos contra a propagação do COVID-19. Obrigado por tudo que vocês fazem para ministrar adequadamente outras pessoas durante esse tempo provisório e incerto. Durante esse momento de pausa, quando buscamos a calma influência do Senhor, incentivo-os a dedicarem algum tempo para refletir profundamente sobre como “ouvi-Lo”.1 Espero que minha mensagem hoje possa ser útil ao prosseguir sua educação, e que também possa ter uma aplicação mais ampla durante esses tempos difíceis.

 

Devo admitir que nunca tinha estado neste campus até meu filho mais velho manifestar interesse em jogar lacrosse há alguns anos aqui. Fiquei muito impressionado em minha primeira visita e agora declaro com orgulho que cinco dos meus oito filhos estão formados e o número seis está quase. Ao olhar para trás, eu nunca imaginaria o que essa experiência faria para moldar a vida deles, e construir um alicerce centrado em Cristo para os preparar para o mundo em que vivemos. Obrigado a todos que tornam isso possível.

“Temos Grandes Razões para nos Regozijarmos”

 

Quando recebi essa designação, fiquei imaginando quais conselhos práticos eu poderia compartilhar e que possa ser de valor para cada um de vocês. Minha mente voltou para minha juventude, quando tive dificuldade para terminar a faculdade. 

Foi nessa época que conheci a irmã Gerard. Estávamos trabalhando em Washington, DC, onde passamos trinta e oito anos de nossas vidas. Nós namoramos e casamos em sete curtos meses e sentimos fortes impressões espirituais para levar nossas vidas adiante. Quando começamos a vida juntos, nós prometemos um ao outro em fazer o evangelho de Jesus Cristo e suas responsabilidades nossa principal prioridade. Começamos imediatamente nossa família e eu trabalhava em período integral e fazia faculdade à noite. Seis anos consecutivos de faculdade noturna me permitiram concluir tanto uma graduação quanto uma licenciatura em direito. Quando terminamos, estávamos esperando nosso terceiro filho, tínhamos ensinado o seminário de manhãzinha, tínhamos servido no bispado e, para ser franco, estávamos exaustos.

 

Foi durante esse período que recebemos uma carta anônima - suponho que seja de um indivíduo bem-intencionado - que criticou nosso estilo de vida e sugeriu que nós estávamos cometendo erros graves em trabalhar duro, tentar concluir a faculdade, formar uma família e servir na Igreja. O escritor indicou que nossas prioridades estavam todas erradas. Foi um momento particularmente delicado para nós, porque tínhamos poucos recursos e nenhuma capacidade real de aliviar a pressão, a menos que ignorássemos as impressões que tínhamos sentido, mudasse nossas responsabilidades e desistíssemos de nossas prioridades. Mas, ainda mais preocupante, foi a constatação de que alguém próximo a nós era tão observador e crítico. Hoje vocês podem não receber uma carta anônima - isso é mais para a minha geração - mas, suas experiências equivalentes a isso, pode ser uma publicação na mídia social que, embora não tenha sido enviada especificamente para vocês, os fazem sentir que é.

 

Enquanto vivíamos momentos de alegria em nossa jornada, a carta anônima contribuiu para nossos momentos de ansiedade, e nos questionávamos sobre as decisões que havíamos tomamos e nos perguntávamos como poderíamos passar por isso - talvez não seja diferente dos sentimentos que vocês vivenciam em alguma ocasião. Por mais difícil que tenha sido para a nossa jovem família, agora olhamos para trás com humilde espanto, pois nunca poderíamos imaginar como tudo isso era possível. Enquanto estávamos em um momento crítico, nosso caminho nem sempre foi claro. Não tínhamos certeza de que nossos esforços seriam recompensados. Nós nos perguntávamos em voz alta se tudo iria valer a pena. Todos os dias pareciam ser um ato de fé, enquanto tentávamos permanecer fiéis ao nosso compromisso ao andar pelas águas turvas da vida. Agora que a experiência terminou, refletimos sobre esses dias com carinho e podemos ver a mão do Senhor nos guiando a cada passo do caminho.

 

Nossa experiência me lembrou as palavras de Amon após seu serviço missionário desafiador com Alma e os filhos de Mosias. As escrituras registram “as circunstâncias que ocorreram em suas viagens, pois tiveram muitas aflições; sofreram muito, tanto física quanto mentalmente.”2 Ocasionalmente,“se [achavam deprimidos]... [e estavam para voltar].”3 No entanto, ao final de seu serviço, Amon refletiu e perguntou retoricamente: “temos grandes razões para nos regozijarmos; porque poderíamos nós supor, quando partimos da terra de Zaraenla, que Deus nos concederia tão grandes bênçãos?”4 Repito: “poderíamos nós supor, quando partimos. . . que Deus nos concederia tão grandes bênçãos? ”

 

As palavras de Amon sugerem que, quando ele iniciou seu serviço, ele não podia prever completamente o resultado ou mesmo as bênçãos do Senhor enquanto trabalhava. De fato, suas palavras implicam que ele pode ter visto toda a sua experiência de maneira diferente se pudesse supor desde o início quais seriam as bênçãos finais. Como Amon, cada um de nós pode achar difícil supor exatamente quais grandes bênçãos o Senhor reservou para nós.

 

Como um garoto que crescia em uma pequena comunidade agrícola de Idaho e se levantava às cinco horas todas as manhãs para ordenhar vacas, eu não poderia imaginar que estaria aqui hoje. Quando tive meu primeiro voo de avião para o campo missionário, não podia supor que, além da alegria de servir aos outros, minha experiência missionária me ensinaria as habilidades necessárias para me destacar na faculdade e no trabalho. Eu não poderia supor que um simples estágio universitário me traria oportunidades de carreira dirigindo organizações importantes e representando alguns dos líderes empresariais mais poderosos do mundo. Durante todos os meus anos de serviço na Igreja, nunca imaginei que seria chamado por um profeta de Deus para deixar de lado meus interesses mundanos e servir ao Senhor em tempo integral. Muito parecido com Amon, quando olho para trás hoje, não poderia ter pensado, quando começamos, que Deus nos daria grandes bênçãos.

 

Embora tenhamos aprendido muitas lições durante nossos anos de estudo, muitas vezes refletimos como foi possível perseverar, seguir em frente e ter confiança em momentos difíceis. O que nos permitiu resistir às críticas anônimas daqueles que viam a vida de maneira diferente e nos manter fiéis ao nosso compromisso de viver o evangelho de Jesus Cristo?

 

Embora cada um de nós tenha experimentado experiências variadas ao longo de nossas vidas, a irmã Gerard e eu descobrimos que nossa disposição de confiar no Senhor e seguir Seu conselho, mesmo quando não víamos claramente, resultou em bênçãos muito além do que poderíamos supor.

 

O Presidente Dallin H. Oaks ensinou: “Existem poucas coisas mais importantes nesta vida do que conhecer seu lugar na mortalidade e seu potencial na eternidade.”5

Mesmo Quando Eles não Sabiam o Porquê

 

Quando a irmã Gerard e eu começamos, nossa aspiração e esperança para nossa família eram alcançar “o maior de todos os dons de Deus”: o dom da vida eterna.6 A partir daquele momento, procuramos intencionalmente seguir Seu conselho, acreditando que Ele nos abençoaria além da nossa capacidade de compreender. Toda decisão significativa que tomávamos era medida comparando com o padrão da vida eterna. Quando não podíamos enxergar claramente, quando não podíamos supor, mesmo após repetidas petições ao Senhor, nos perguntávamos qual era a escolha mais compatível com o caminho do convênio que nos conduziria a nossa esperança de vida eterna. Nos ancoramos na esperança da vida eterna, porque precisávamos de um sinal iluminado para seguir, principalmente quando as escolhas diárias eram ambíguas e às vezes até confusas. Além disso, um objetivo claro nos vacinou contra a queda gradual do relativismo, na qual muitos começam a medir sua conduta comparando com a dos outros, não mais procurando fazer a vontade do Senhor, mas se contentando em fazer algo melhor do que outra pessoa.

 

Também aprendemos a confiar no Senhor e a confiar em nossas escolhas, mesmo quando nossas mentes mortais eram ocasionalmente confusas. O Presidente Harold B. Lee disse: “Quando entendemos mais do que sabemos com nossa mente, quando entendemos com nosso coração, sabemos que o Espírito do Senhor está trabalhando sobre nós.”7 Nossa busca pela vida eterna exige que elevemos nossa compreensão além do conhecimento de nossas mentes mortais.

 

Paulo capturou esse princípio em sua Primeira Epístola aos Coríntios:

 

As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam..

 

Porém Deus no-las revelou pelo seu Espírito;. . . .

 

Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.8

 

Mais tarde, em 1 Coríntios, Paulo descreveu vividamente o que frequentemente experimentamos em nossa vida mortal: “Porque agora vemos por espelho, em enigma;… agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.”9 Paulo nos lembrou que na mortalidade, como vemos "por um espelho, em enigma", vemos apenas em parte.

 

Nossa visão é frequentemente limitada ao nosso entendimento mortal como um reflexo do que vemos no espelho. Como Amom poderia ter dito: "É difícil supor". O Presidente James E. Faust disse: “Muitas vezes, não temos sequer um vislumbre de nosso potencial de felicidade e realização nesta vida e na eternidade, porque, como o apóstolo Paulo disse: 'Agora vemos por um espelho, em enigma.'”10 No grego original, ‘em enigma’ significa "obscuramente" - intrigante ou difícil de entender.

 

Nossa caminhada diária pela vida pode parecer intrigante ou difícil de entender. Todos os dias enfrentamos decisões que definem quem somos. No entanto - como olhar através do espelho, em enigma - somos escolhidos com base em nosso conhecimento ou experiência limitados adquiridos na mortalidade. Muitas dessas decisões podem parecer bastante rotineiras, mas outras alteram a vida. Independentemente de quão rotineira ou significativa, toda decisão é uma escolha que pode nos aproximar ou nos afastar de nosso destino final.

 

Vocês estão em um momento de suas vidas em que estão estabelecendo padrões em quais princípios irão governar seu processo de tomar decisões. O Élder Robert D. Hales certa vez descreveu isso como “a década das decisões”.11 Seu padrão reflete o exercício da fé, buscando conhecer a vontade Dele, confiando no Senhor, acatando Seu conselho e guardando os mandamentos, mesmo quando vocês não podem supor o que está adiante? O que os guia ao lidar com decisões mais significativas, como, qual será seu curso de estudo ou quem vocês irão procurar para uma companhia eterna - ou se irão optar por adiar decisões tão significativas, argumentando com sua mente mortal que outros assuntos são mais importantes?

 

Ao estudarmos as escrituras e compará-las a nós mesmos, podemos aprender com as experiências daqueles que já passaram por isso antes. Adão, Néfi, Saria, Joseph Smith e muitos outros tiveram momentos em que sentiram que não estava claro o que deveriam fazer. Eles também podem não ter imaginado exatamente por que ou como deveriam superar obstáculos em suas vidas, mas cada exemplo mostra que, embora não soubessem, eles seguiram os mandamentos do Senhor e confiaram no Senhor mesmo quando suas mentes mortais sugeriram o contrário.

 

Sempre me inspiro quando leio o relato de Adão no livro de Moisés. Adão e Eva tiveram filhos e cuidaram das necessidades da vida, cultivando a terra e cuidando de seus rebanhos. As escrituras registram que o Senhor

 

...deu-lhes mandamentos de que adorassem ao Senhor seu Deus e oferecessem as primícias de seus rebanhos como oferta ao Senhor. E Adão foi obediente aos mandamentos do Senhor.

 

E após muitos dias, um anjo do Senhor apareceu a Adão, dizendo: Por que ofereces sacrifícios ao Senhor? E Adão respondeu-lhe: Eu não sei, exceto que o Senhor me mandou.12

 

Aqui encontramos Adão, que conversou com Deus, respondendo ao anjo que ele não sabia por que ele ofereceu sacrifícios, exceto que o Senhor ordenou que ele o fizesse. No entanto, Adão deu ouvidos à voz do Senhor e permaneceu fiel em guardar os mandamentos, mesmo quando não sabia o porquê.

 

Poderia Adão supor o significado de sua obediência ou o propósito de oferecer sacrifícios antes das instruções do anjo? No entanto, ele agiu com fé, e o anjo o ensinou. “E naquele dia desceu sobre [ele] o Espírito Santo.”13

 

Outro exemplo frequentemente citado é Néfi. Todos conhecemos seus esforços para proteger as placas de Labão. Depois de duas tentativas fracassadas, Néfi registrou que “era guiado pelo Espírito, sem saber de antemão as coisas que [ele] deveria fazer”.14 Mas quantos de nós se lembram de que, alguns capítulos depois, Néfi recebeu ordens de fazer dois conjuntos de placas? “Ordenou-me, portanto, o Senhor que fizesse estas placas para um sábio propósito seu, o qual me é desconhecido.”15

 

Embora Néfi não "conhecia" o propósito do segundo conjunto de placas - as placas menores - hoje entendemos que muito do que ele registrou foi usado para substituir a perda das 116 páginas do manuscrito traduzidas da primeira parte do Livro de Mórmon , o livro de Leí.16

 

O Élder Kim B. Clark explicou:

 

Sem o registro de Leí [que foi perdido com as 116 páginas], não haveria relatos da família de Leí, da jornada para a terra prometida ou da origem dos nefitas e lamanitas.

 

Em maio de 1829, o Senhor revelou a Joseph um plano, séculos em elaboração, para substituir o livro de Leí pelo que hoje conhecemos como as placas menores de Néfi.17

 

Você acha que Néfi poderia supor, há mais de 2.000 anos, que o segundo conjunto de placas, o conjunto de placas menores, preservaria o registro da família, agora lido e recontado por milhões de pessoas que descobriram a verdade através do poder de conversão do Livro de Mórmon?

Embora muitas vezes apontemos para Néfi e seu pai Leí, eu os convidaria a considerar a mãe de Néfi, Sariah. É significativo que Sariah fez tudo o que eles fizeram, mas ela não teve o benefício das visões de seu marido ou de seu filho. Todos somos mais como ela do que como Leí e Néfi. Muitos de nós não temos visões diretas e não ouvimos a voz do Senhor ou vemos anjos. Sariah também não. Mas ela era fiel e seguiu os mandamentos do Senhor de deixar sua confortável  vida e lar ​​em Jerusalém e seguir para o deserto, para um lugar que nunca tinha visto, em um caminho que nunca havia percorrido, apenas com a confirmação do Espírito de que, em algum lugar lá fora, o Senhor os guiaria à terra prometida e que a vida prometida seria melhor do que qualquer coisa que ela pudesse imaginar.

 

Depois de sentir grande angústia, sentindo que seus filhos poderiam ter perecido em seus esforços para obterem as placas, ao voltar, as escrituras contam:

Ela falou, dizendo: Agora sei com certeza que o Senhor ordenou a meu marido que fugisse para o deserto; sim, e tenho também certeza de que o Senhor protegeu meus filhos e livrou-os das mãos de Labão; e deu-lhes o poder de executarem o que o Senhor lhes havia ordenado.18

 

Ela obedeceu, e Deus foi fiel à Sua promessa, mesmo que ela não visse isso por muitos anos e só depois de muita tribulação. Sariah é apenas um exemplo de muitas mulheres fortes nos tempos antigos e, mesmo agora, que claramente devem ter sentido e entendido a promessa revelada a nós em nossos dias: “Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo” 19.

Outro exemplo de nossa dispensação é o jovem profeta Joseph Smith. Ao comemorarmos o bicentenário da Restauração, começando com a Primeira Visão, podemos olhar para sua experiência e aprender com seu exemplo. O que Joseph realmente sabia quando começou sua busca para entender seu relacionamento com Deus e buscar respostas para suas orações?

 

O registro relata que, depois de ler o livro de Tiago - “ E se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” 20 - Joseph refletiu sobre essa poderosa passagem “repetidas vezes, sabendo que se alguém precisasse de sabedoria de Deus, [ele] precisava; sobre como agir [ele] não sabia. ”21 Mas ele confiou na promessa da Bíblia que dizia“ Peça-a com fé, não duvidando ”. 22

Você acha que o jovem Joseph supôs de antemão o que ocorreria no Bosque Sagrado? Você acha que o jovem Joseph tinha alguma idéia de que seu ato aparentemente simples de fé abriria os céus para iniciar seu papel preordenado para iniciar a Restauração do evangelho de Jesus Cristo nesta dispensação?

Você acha que os santos que suportaram adversidades indescritíveis atravessando as planícies poderiam supor que seu sacrifício levaria a templos espalhados pela terra ou que um dia mais de 16 milhões de membros da Igreja seriam convidados por um profeta vivo para ajudar na coligação de Israel em ambos os lados do véu?

 

Você acha que podemos supor hoje o que os próximos anos de nossas vidas podem trazer, e que grandes bênçãos Deus nos concederá?

 

Esses relatos das escrituras nos dão discernimento e esperança. Eles nos ajudam a entender que não estamos sozinhos, pois, de muitas maneiras, nossa caminhada na vida é muito semelhante à dos nobres e grandes que nos precederam. Eles também andavam pela fé e nem sempre sabiam como realizar o que o Senhor ordenou. No entanto, vemos um padrão emergir em cada exemplo. Eles exerceram fé, demonstraram uma profunda confiança no Senhor, atendendo a Seus conselhos, e guardaram os mandamentos - mesmo quando não sabiam - e Ele os abençoou além de qualquer coisa que eles pudessem supor.

 

Cada um de nós terá momentos em que as pressões desta vida parecem nublar nossa capacidade de ver claramente. O mundo testará nossa determinação de seguir o conselho do Senhor e viver os mandamentos. Às vezes, começamos a nos desesperar e a nos convencer de que nossos desafios são tão incomuns que ninguém nunca os enfrentou antes. Podemos até cair em autopiedade, o que nos torna vulneráveis ​​às tentações do adversário, pois ele tornar todos os homens tão miseráveis ​​como ele próprio .23 Imaginamos se algum dia conseguiremos um emprego decente e poderemos sustentar nossa família. Nós nos preocupamos com os relacionamentos. Preocupamo-nos que ainda não estamos em uma posição segura para sustentar uma família, por isso racionalizamos o adiamento das escolhas da vida eterna. Sentimos as intensas pressões do mundo para abandonar o Salvador como meramente “uma louca e vã esperança”. 24 Podemos até chegar ao ponto de sentir que o Senhor nos esqueceu e que estamos sozinhos.

Mas, assim como aqueles que foram antes, cada um de nós terá momentos em que as pressões da vida nos forçarão a pedir ajuda. Um dos grandes testes da vida é como reagimos nesses momentos. O Élder Robert D. Hales perguntou: “Acaso não teremos, todos nós, em algum momento, motivos para perguntar: “Ó Deus, onde estás?” 25

 

Durante a prisão do Profeta Joseph na Cadeia de Liberty, quando ele clamou, o Senhor o lembrou:

Todas estas coisas te darão experiência e serão para o teu bem. . . .

Portanto, mantenha-se no seu caminho. . . . Não temas o que o homem pode fazer, pois Deus estará contigo para todo o sempre.26

Durante esses momentos de desespero, quando sentimos que tudo está perdido, somos lembrados:

Confie no Senhor com todo o seu coração; e não te estribes no teu próprio entendimento. . . .

Não seja sábio aos teus próprios olhos.27

O padrão é confiar no Senhor naqueles momentos em que não entendemos, não podemos supor, ou "vemos através de um copo sombriamente". Assim como Adão, Néfi, Saria, José e muitos outros, devemos nos voltar primeiro ao Senhor. Isso nem sempre é fácil, pois nossos instintos naturais do homem nos levam ao nosso entendimento mortal. Frequentemente deixamos de confiar no Senhor e depositamos confiança no braço da carne.28 Essa é uma tendência natural contra a qual somos advertidos. Néfi descreveu o “plano astuto do maligno” como incluindo “a vaidade,. . .fraqueza e. . . insensatez dos homens! Quando são instruídos, pensam que são sábios e não dão ouvidos aos conselhos de Deus, pondo-os de lado, supondo que sabem por si mesmos. ”29

Mas, para ficar bem claro, Néfi continuou: “Mas é bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus.” 30

Na conferência geral de abril de 2018, o Presidente Russell M. Nelson disse: “Mas, nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo.” 31

Nossa experiência em Washington

 

Para que não sintamos que essas experiências são para outra época ou para outras pessoas, para encerrar, gostaria de compartilhar uma experiência pessoal recente que ilustra os princípios compartilhados hoje. Isso ocorreu apenas alguns meses atrás, enquanto eu estava em uma missão da conferência da estaca em Spokane, Washington. Antes de nossas reuniões de sábado à tarde, o presidente da estaca e eu fizemos uma visita de ministração à família Pulver. Os Pulvers foram identificados a partir de uma longa lista de nomes apresentados pelos bispos e sumos conselheiros. O presidente da estaca não os conhecia bem, mas sentiu uma forte impressão espiritual que deveríamos visitar.

Chegamos em casa e sentamos com o irmão Pulver, que se considerava menos ativo e não estava no templo desde sua missão dezenove anos antes. A irmã Pulver estava trabalhando e ele cuidava das crianças. O irmão Pulver foi gentil, mas se perguntava por que decidimos chamar sua família. Quando começamos a conversar, perguntei onde haviam crescido. O irmão Pulver indicou que sua esposa era da pequena cidade de Ferron, Utah. Respondi que estava em Ferron apenas dez meses antes em uma missão e comecei a contar uma experiência sagrada que tive com uma irmã fiel durante uma visita a casa.

O irmão Pulver disse surpreso ‘’ Era você.’’

Aconteceu que a irmã fiel que visitei em Ferron era a mãe da irmã Pulver - a sogra do irmão Pulver. O irmão Pulver me deu permissão para compartilhar trechos de seu diário, no qual registrou os detalhes de nossa visita naquele dia:

Depois que mencionei Ferron, o Élder Gerard se iluminou, dizendo que tinha estado em Ferron. Foi naquele momento que tudo estava conectado para mim, e eu sabia por que ele estava em minha casa. Quando Genevieve [mãe da irmã Pulver] estava a horas de falecimento, o Élder Gerard a visitou. . . . Ao explicar sua história, o Espírito Santo entrou em minha casa em um grau que nunca encontrei antes. O sentimento era quase palpável e testemunhou a mão do Senhor em nossa reunião.

Acontece que eu fui uma das últimas a visitar a mãe da irmã Pulver, Genevieve, antes de sua morte. Quando chegamos a sua casa em Ferron, ela estava deitada no sofá em um estado semiconsciente. O pai da irmã Pulver, um homem muito fiel, indicou que ela tinha muito pouco tempo para viver. Sentamo-nos à pequena mesa da cozinha e a visitamos em silêncio, como podíamos ouvi-la respirar tensa na sala ao lado. Enquanto nos preparávamos para sair, o pai da irmã Pulver perguntou se dariam uma bênção à esposa. Quando colocamos as mãos na cabeça dela, o Espírito do Senhor encheu a sala. Foi um momento muito sagrado para nós, pois o véu da eternidade se separou por um breve momento. Ela faleceu algumas horas depois.

Ao compartilhar os detalhes das horas finais da vida de sua sogra, ficou claro que havia mais na história. Deixe-me ler novamente o diário do irmão Pulver:

Cerca de um ano antes, Genevieve [mãe da irmã Pulver] estava passando as férias conosco. Ela entrou no meu quarto e teve uma conversa apenas comigo naquele momento. Ela perguntou minha opinião sobre o que fazer com a continuação do tratamento contra o câncer. Perguntei o que ela queria fazer e ela me disse que queria fazer. Ela me pediu para cuidar de sua filha e netos. Então ela não perguntou, ela me disse: " Leve essa família ao templo".

 

Quando concluímos a visita à casa deles, os Pulvers concordaram em participar da sessão da noite de sábado da conferência da estaca pela primeira vez em muitos anos. Além disso, comprometeram-se a atender ao pedido da mãe da irmã Pulver de levar a família ao templo. Tenho o prazer de informar que, quando visitei os Pulvers na semana passada - quando me autorizaram a compartilhar partes do diário - eles indicaram que o irmão Pulver havia frequentado recentemente o templo e que a irmã Pulver está terminando as lições de preparação do templo para receber sua própria investidura nas próximas semanas.

 

Deixe-me citar mais uma vez o diário do irmão Pulver: 

 

O Senhor teve a previsão de designar primeiro o Élder Gerard para a conferência da estaca na área de Ferron. Depois, ele foi enviado à Estaca Spokane Valley East pouco mais de um ano depois de eu ter tido uma conversa com Genevieve. Não tenho dúvida de que Genevieve teve influência nesse evento. Não acredito que tenha sido uma coincidência casual. Isso não teria acontecido se o Senhor não tivesse intervindo. Os discípulos fiéis do Senhor seguiram Seus sussurros exatamente como Ele queria. Não foram apenas os eventos desta reunião que a tornaram milagrosa. O sentimento de poder extremo e de paz extrema é o que fez esse encontro mudar a vida e algo que nunca esquecerei. O evangelho de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é verdadeiro, real e maravilhoso.

 

Meus queridos irmãos e irmãs, eu nunca imaginaria que meu tempo com a vovó Genevieve, pouco antes de sua morte, estivesse em preparação para conhecer sua filha e família, alguns meses depois, em cumprimento de seu pedido final, para garantir que recebessem as bênçãos do templo. Eu não sabia o que o Senhor havia planejado, mas, quando exercitei a fé, confiei no Senhor e segui Seu conselho - mesmo quando não podia supor -, tornei-me novamente uma testemunha das grandes bênçãos que Ele concede aos Seus filhos.

 

Ao continuarmos a jornada da vida, eu os incentivo agora, durante os anos de escolaridade e durante toda a sua vida, a sempre confiar em Deus, a seguir Seus conselhos e - mesmo quando o caminho não estiver claro - a conhecer as grandes bênçãos que Ele nos dará. E embora muitas vezes não possamos supor em nossas vidas diárias exatamente que grandes bênçãos receberemos, chegará o dia em que olharemos para trás, exatamente como Amon fez e declarar: “Pois poderíamos ter suposto, quando começamos essa jornada que chamamos de mortalidade nos levaria à maior bênção de todas, até o presente da vida eterna, a viver em família na presença de nosso Pai Celestial e de nosso irmão mais velho, Jesus Cristo? ”

Presto testemunho de que eles vivem. Testifico que Deus, nosso Pai Eterno, é o Pai de nossos espíritos e que Jesus é o Cristo, o Salvador e Redentor de toda a humanidade. E neste ano de comemoração, sigamos o exemplo do Profeta Joseph Smith e nos voltemos para o Senhor, sabendo com confiança que podemos ouvi-lo. Que possamos elevar nossos olhos para a eternidade e aprender a ouvir é meu humilde convite e oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Jack N. Gerard, Autoridade Geral Setenta de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, proferiu este discurso devocional em 17 de março de 2020.

Notes

1. Russell M. Nelson, “‘How Do You #HearHim?’ A Special Invitation,” Church of Jesus Christ, 26 February 2020, churchofjesuschrist.org/blog/how-do-you-hear-him-a-special-invitation?lang=eng; also Luke 9:35; Mark 9:7; JS—H 1:17.

2. Alma 17:5.

3. Alma 26:27.

4. Alma 26:1.

5. Dallin H. Oaks, “The Gospel in Our Lives,” Ensign, May 2002.

6. D&C 14:7.

7. Harold B. Lee, “The Message: When Your Heart Tells You Things Your Mind Does Not Know,” New Era, February 1971.

8. JST, 1 Corinthians 2:9–11.

9. 1 Corinthians 13:12.

10. James E. Faust, “It Can’t Happen to Me,” Ensign, May 2002; quoting 1 Corinthians 13:12.

11. Robert D. Hales, “Our Essential Spiritual Agency,” BYU devotional address, 14 September 2010.

12. Moses 5:5–6.

13. Moses 5:9.

14. 1 Nephi 4:6.

15. 1 Nephi 9:5.

16. See D&C 3.

17. Kim B. Clark, “Thou Art Joseph,” worldwide devotional for young adults, Church of Jesus Christ, 7 May 2017, churchofjesuschrist.org/study/broadcasts/worldwide-devotional-for-young-adults/2017/05/thou-art-joseph?lang=eng.

18. 1 Nephi 5:8.

19. D&C 82:10.

20. James 1:5.

21. Joseph Smith—History 1:12; see also verse 11.

22. James 1:6.

23. See 2 Nephi 2:27.

24. Alma 30:13.

25. Robert D. Hales, “Waiting upon the Lord: Thy Will Be Done,” Ensign, November 2011; quoting D&C 121:1.

26. D&C 122:7, 9.

27. Proverbs 3:5, 7.

28. See 2 Nephi 4:34.

29. 2 Nephi 9:28.

30. 2 Nephi 9:29.

31. Russell M. Nelson, “Revelation for the Church, Revelation for Our Lives,” Ensign, May 2018.

 Cissa Christensen
 Cissa Christensen

This speech has been translated by
 Cissa Christensen