Se Você Não Gosta Disso, Então Mude Isso!

CARRIE ROBERTS
Treinador de Golfe feminino na BYU
Discurso proferido em Fev. 12, 2019

Fiquei sabendo que eu seria uma das discursantes desse devocional, quando uma lista de alguns dos próximos oradores foi postada no site da BYU. Quando meu marido viu meu nome listado à frente do Élder Dieter F. Uchtdorf e do Élder Ulisses Soares, ele tirou um print do site e me enviou com a seguinte mensagem, “Listado em ordem de importância?”

Aquilo me rendeu boas risadas, mas também fiquei impressionada. Que honra estar discursando neste púlpito! Ainda que eu me sinta inadequada para a tarefa em mãos, eu oro para o que eu tenha preparado possa beneficiá-los de alguma maneira. Assim, eu ponderei o que dizer e contatei um amigo que me disse que eu não iria falar nada que vocês já não tivessem escutado antes. Tudo o que eu poderia fazer era compartilhar minhas experiências durante minha jornada. Então eu espero que no processo vocês possam aprender algumas coisas que eu tenho aprendido durante minha vida.

 

Duas Lições que Aprendi de Meus Pais 

 

Os dois conselhos mais memoráveis que eu recebi quando eu era criança, vieram de cada um de meus pais. Um dia, eu cheguei em casa depois da escola com mal humor. Alguma coisa  tinha me deixado aborrecida, então eu estava me queixando para a minha mãe.

Embora isso tenha acontecido quando eu era muito jovem, eu ainda lembro de suas sábias palavras: “Carrie, se você não gosta disso, então mude isso.”

Fiquei atordoada, confusa e pensei, “Espera! Eu posso fazer isso?”

Ela adicionou mais uma dica ao seu conselho, “Se você acha que pode ou não pode, você está certa.”

Eu não tinha nenhuma ideia do que ela estava falando. Eu fiquei confusa e pensei que minha mãe estava falando em línguas. Mas, por alguma razão, a frase “se você não gosta disso, então mude isso” sempre ficou em minha mente. Sua lição é uma das que eu quero compartilhar com vocês hoje. Através de seu livre arbítrio e de sua capacidade de pensar e agir por si mesmo, vocês podem criar a vida que vocês desejam.

Meu pai me ensinou outra memorável lição na minha juventude. Essa veio quando eu estava me esforçando para escolher qual faculdade eu iria representar jogando golfe. Eu tinha muitas ofertas, mas não sabia para onde ir. Eventualmente eu estreitei minha busca para três faculdades. No entanto, quando chegou a hora de assinar com a faculdade, eu sentei na mesa da cozinha olhando para as três cartas de aceitação, sem ideia de qual assinar.

Naquele tempo meu pai era um golfista bem-sucedido no Senior PGA Tour (torneio de golfe para homens seniores). Mas ele não tentou influenciar minha decisão, em vez disso, ele permitiu que eu fizesse minha própria decisão sobre a faculdade.

 

Finalmente eu perguntei para meu pai, “para onde devo ir?”

Ele, então, respondeu , “bom, o que você quer?”

Eu estava confusa, “o que você quer dizer com o que eu quero?”

Ele respondeu com outra pergunta: o que você quer da vida?”

Depois de pensar sobre aquilo, eu contei para ele o que eu queria.

Ele respondeu: “Então, escolha a faculdade que te dará isso.”

A fim de conseguir o que vocês querem da vida, vocês têm que saber primeiro o que vocês querem. É difícil pensar e agir por vocês mesmos quando vocês não sabem pelo que pensar e agir.

Aprendendo a Criar Felicidade

Saber o que vocês querem é entender o seu porquê. Descobrir o seu porquê é poderoso. Isso traz motivação, paixão e desejo. O seu porquê pode começar a dar significado em como você vive sua vida. Ele também pode dar a sua vida um propósito. Eu penso que muita dor e confusão poderiam ser evitados se as pessoas pensassem e agissem por elas mesmas para saber o porquê das coisas que fazem. Ao descobrir o meu porquê, eu estava mais capacitada para criar uma visão para minha vida, definir como eu deveria olhá-la e começar a fazer metas para alcançar isso.

Mas essa lição me custou um tempo para descobrir. Ao longo da minha vida, a felicidade demorava a aparecer. Na minha adolescência eu procurei o exercício físico para me trazer felicidade. Eu treinei todos os dias. Fiz exercícios de cardio, levantei peso, eu me achava linda com a forma do meu corpo. Mas fazendo o que eu pensei que eu deveria, não me trouxe a felicidade prometida.

Nos meus 20 anos eu pensei que se eu não tivesse que me preocupar com dinheiro eu seria feliz. Então trabalhei, guardei dinheiro, investi e vi retorno. Eu não estou dizendo que eu poderia comprar uma ilha ou um jato particular, mas eu não tinha que me preocupar cada mês se eu poderia pagar minhas contas. Mesmo que eu tivesse coisas divertidas e podia comprar sapatos legais, novamente a prometida felicidade por fazer aquilo nunca chegou.

Então, me voltei para o evangelho de Jesus Cristo para minha felicidade e realização. Estudei diligentemente as escrituras. Fiz fielmente minhas orações. Eu tentei ser perfeita. Mas ainda que vivendo de forma obediente e fazendo o que eu pensei que deveria fazer, não me trouxe a felicidade desejada. Eu comecei a acreditar que eu apenas não era boa o suficiente, inteligente o suficiente, ou bonita o bastante. O pior de tudo, eu comecei a pensar que Deus não me amava. Mas meus pensamentos estavam me enganando.

Na faculdade eu fui apresentada ao Dr. Richard A. Heaps, um psicólogo aqui da BYU. Ele me ensinou que a felicidade que eu procurava, não iria apenas “chegar.” Eu precisava criá-la. Ele também me ensinou que controlar meus pensamentos me permitiria tomar as ações necessárias para criar a felicidade que eu queria. Ele ensinou que cada pensamento e ação que eu tinha a cada dia precisava me levar para a felicidade que eu desejava ou as coisas que eu queria da vida. Isso tomou tempo, mas eu comecei, como Alma disse: “minha alma encheu-se de tanta alegria quanta havia sido minha dor! (Alma 36:20). Eu também aprendi a pensar e agir por mim mesmo. Eu poderia usar meu arbítrio - como todos nós podemos - para construir uma armadura para me proteger contra as maiores ferramentas do diabo de auto-derrota, desencorajamento, e a crença de que eu simplesmente não nasci bom o suficiente para o amor de Deus.

Nosso Propósito Na Terra

A principal razão pela qual estamos aqui na terra é para aprender a nos tornar como o Pai Celestial. Acredito que isso implica aprender a fazer como Ele faz. Pensar por si mesmo e tomar o controle de seu livre arbítrio, permite que vocês tomem medidas para a vida que vocês desejam com a ajuda de um Pai Celestial amoroso, que deseja nos ajudar a trilhar nossa própria jornada aqui na mortalidade. O que é importante para nós é importante para Ele. Ele quer que usemos os talentos e habilidades que Ele nos abençoou para realizar nossos sonhos e termos vidas de alegria e satisfação. Como nossos pais terrenos que fariam qualquer coisa para nos ajudar se trouxéssemos a eles um plano bem elaborado. Nosso Pai Celestial é o mesmo. Isto exige de nós, no entanto, primeiro entender o nosso porquê, ou o que queremos. Então, podemos agir.

Quais são suas paixões e talentos? O que é que cada um de vocês querem alcançar em sua vida? Com essa compreensão pessoal e desejo, juntamente com a ajuda de um Deus que está lá para guiá-lo e ajudá-lo, o que você pode alcançar não tem limites ou fronteiras.

Não é importante que vocês entendam o meu propósito ou o meu porquê. Eu é que tenho que saber e entender isso. Alguns diriam que uma mãe não deveria fazer parte da classe trabalhadora. Sou criticada? Com Certeza. As pessoas se preocupam comigo e com meus filhos? O tempo todo. Elas aconselham o meu marido sobre o que elas acham que é melhor do que ser um pai que trabalhe em casa? Claro que sim. Mas eles não precisam entender o porquê. Nós somos os únicos que devemos entender isso.

A jornada de vocês é conhecer e entender o seu porquê para que vocês possam viver suas vidas e não a de outros. Vocês estão aqui para progredir da maneira que vocês precisam, não da maneira que alguém pensa que vocês devem.

Usando Nosso Arbítrio

Ao longo da vida de nossos filhos, meu marido e eu tentamos ensiná-los a pensar e agir por si mesmos e desenvolver o poder que advém de fazê-lo. Aprender a usar nosso arbítrio para criar nossas próprias vidas se manifesta com diferentes oportunidades em todas as fases da vida. Quando minha filha mais velha, Mary, era jovem, ela começou a demonstrar paixão pelo futebol. Como vocês podem imaginar, minha paixão é o golfe. Depois que ela leu um livro da lenda do futebol Alex Morgan, cuja paixão também era futebol e cuja paixão do pai era o beisebol, Mary contou de uma maneira doce e inocente como ela tinha aprendido com Alex que precisava seguir o que amava para poder ser feliz, assim como Alex Morgan seguiu sua paixão e não a de seu pai. Claro que iriamos apoiá-la, permitindo que ela vivesse seu amor de jogar futebol. Mas eu a provoco dizendo que a paixão dela ainda é o golfe.

Uma vez surgiu uma oportunidade para ensinar meu filho Hank a fazer escolhas mais poderosas. Uma noite o chamei e disse que estava substituindo nossa habitual noite de Little Caesars pizza por uma opção mais saudável de um muffin inglês coberto com molho de tomate e muçarela fresca.

Ele respondeu: "Bem, posso escolher por mim mesmo e decido não provar sua pizza".

Com alguma sabedoria maternal - ou, como alguns diriam, persuasão maternal - eu disse que ele só poderia fazer essa escolha depois que ele desse uma mordida na minha opção alternativa. E sim, ele acabou gostando da minha pizza.

Meu filho mais novo, Lincoln, se esforça para pronunciar palavras. Mesmo sendo jovem, ele está aprendendo que pode optar por trabalhar duro. Em vez de se sentir frustrado, ele pode responder com mais esforço até conseguir pronunciar suas palavras com perfeição.

Antes de virmos para a Terra, tínhamos dois planos para escolher. Um plano nos daria liberdade para escolher e o outro nos forçaria a pensar e agir sendo controlados por alguém. (ver Moisés 4: 1–4). Quando a decisão foi tomada para dar aos filhos da terra poder para escolher, a guerra se eclodiu. Ter nosso livre arbítrio era tão importante que estávamos dispostos a ir à guerra para protegê-lo (ver Apocalipse 12: 7). O plano de salvação contém o arbítrio. Satanás “é o pai de todas as mentiras” (Éter ‪8:25) e procura que “sejamos tão miseráveis como ele é” (2 Néfi ‪2:27). Satanás lutou e continua a lutar para tirar nosso arbítrio (ver Moisés 4: 3–4). Talvez, então, o caminho para vencer Satanás e se tornar mais parecido com nosso Pai Celestial é assumir o controle do nosso direito dado por Deus de controlar nosso arbítrio e usar nossa capacidade de pensar e agir por nós mesmos para criar as vidas que desejamos. Acredito que uma das grandes lições que podemos aprender com o evangelho é entender a importância de construir nossas próprias vidas por meio de nosso arbítrio e por meio do pensamento e da ação que fazemos por nós mesmos.

 

Criando A Vida Que Queremos

Cada dia vocês têm a liberdade de escolher o que vocês querem pensar e o que vocês querem fazer. As escrituras nos lembram frequentemente dessa dádiva que Deus nos deu. Pensar por si mesmo permite que vocês descubram o que vocês querem. Depois de saber o que vocês querem, vocês podem começar a usar seu arbítrio para agir de acordo. Mas a chave é a autoconfiança. Vocês devem agir, como dizem as escrituras, “sem nada duvidar” (Mórmon ‪9:21) “e sem hesitar” (Tiago 1: 6). É nosso direito de nascimento divino usar nosso arbítrio para criar a vida que desejamos. Disseram-nos: “Deus se importa muito mais com quem estamos nos tornando, do que sobre quem nós fomos uma vez. ”1 Acho que isso é um grande exemplo de como Deus nos encoraja a reconhecer nossos desejos justos e tomar decisões que nos levarão à vida que queremos - uma vida que nos traz alegria.

O autor George L. Rogers, resumindo a filosofia de Benjamin Franklin, disse o seguinte sobre a escolha:

Nós estamos no cruzamento,

cada minuto

cada hora

cada dia,

fazendo escolhas. 

Nós escolhemos

os pensamentos

 

que nos permitimos pensar,

as paixões

que nos permitimos sentir

e as ações

que nos permitimos realizar. 2

Quando nos colocamos nessas encruzilhadas diárias, estamos pensando e agindo por nós mesmos? Ou estamos permitindo que os outros ditem quem somos e o que fazemos? Estamos permitindo que os outros nos digam quem podemos nos tornar? Estamos vivendo vidas medíocres porque alguém nos diz que isso é tudo que podemos fazer? Estamos permitindo que os outros ditem o nosso valor? Você está permitindo que outras pessoas possuam sua identidade?

Um Pouco Melhor A Cada Dia​

 

Como disse o escritor britânico James Allen: "Os homens são ansiosos para melhorarem suas circunstâncias, mas não estão dispostos a melhorarem a si mesmos" .3 O princípio de pensar e agir por si mesmo e usar seu arbítrio para criar a vida que você quer, tem a ver com o auto aperfeiçoamento. Está relacionado com ser melhor do que você foi no dia anterior. Em nossa equipe de golfe, chamamos isso de “ganhar o dia”. Está relacionado com se tornar um pouco melhor a cada dia até conseguir o que deseja. Como dizem as escrituras: “Por meio de coisas pequenas e simples que as grandes são realizadas” (Alma 37: 6). É um acúmulo de esforço concentrado. Se você juntar dias bons suficientes, será recompensado. É a constância diária de agir como você escolhe, que constrói e finalmente te leva ao que você quer e onde quer chegar.

James Allen, usando Provérbios 23: 7, também nos ensinou que “O homem é aquilo que ele pensa” .4 Nossa atitude é tudo. Ela determina o que pensamos sobre nós mesmos, o que determina o quão bem-sucedido seremos. Pensar e agir por si mesmo e usar seu arbítrio para criar a vida que você quer, permite que você saiba o que quer e quem você quer ser, o que lhe dará a confiança de nunca desistir quando os obstáculos se acumularem. Os obstáculos tornam-se um prazer e uma fonte de aprendizado porque você entende que esses obstáculos são apenas parte do processo de alcançar o que você quer.

"Por Que Não Eu?"

Quando você entende o seu porquê e está pensando e agindo por si mesmo, você aborda a vida com a pergunta "Por que não eu?" Alguém vai conseguir o que quer, então por que não eu? É semelhante à minha atitude em relação à loteria: alguém vai ganhar, então porque não eu? Você procura continuamente melhorar a si mesmo e suas circunstâncias. Você procura razões pelas quais você pode, ao invés de por que você não pode. Você se concentra no que pode controlar e centraliza seu dia no que é necessário para se aproximar do que deseja. Você trabalha como se não pudesse e não fosse falhar. Você está totalmente comprometido com o seu propósito. Você se torna inabalável e inflexível em sua jornada. É agir como Néfi fez ao declarar “Eu irei e cumprirei” (1 Néfi 3:7). É ser capaz de continuar a agir mesmo que seus planos não tenham funcionado na primeira vez e seus irmãos Lamã e Lemuel duvidem e te ridicularizem, mas você persevera e tenta novamente até conseguir, porque é o seu propósito (ver 1 Néfi 3 –4). É ter a atitude de confiança como jovens guerreiros, que agiram sem temor porque “não duvidavam”(Alma 56:47).

 

Quando você entende o seu porquê e pensa e age por si mesmo, você pode então preservar sua identidade em meio a pressão externa para ser alguém ou algo que você não é. Dessa forma, quando as pressões do mundo, dos que duvidam e dos que criticam, surgem para você, você permanece indiferente porque conhece e compreende seu propósito e porque faz o que faz. Você não é como as pessoas que seguravam a barra de ferro, suportavam a neblina das trevas e até chegavam a provar do fruto, mas se sentiam envergonhadas quando viam as pessoas rindo e zombando. Em vez disso, você segura firme na barra, desfruta através da névoa da escuridão, dá uma deliciosa mordida no fruto, e então aponta para as pessoas no grande e espaçoso edifício e diz: “É uma pena que você esteja perdendo. Eu acho que você deveria provar um pouco.” (Ver 1 Néfi ‪8: 21–30.)

 

Cristo foi o exemplo perfeito de alguém que entendeu o Seu propósito. Mesmo tendo sido duvidado, criticado, cuspido, chicoteado, traído por Seus amigos mais íntimos e condenado por um crime que não cometeu, Ele simplesmente não desistiu porque era muito difícil ou porque as pessoas não acreditavam Nele. Em vez disso, Ele continuou até o fim porque Ele sabia do Seu propósito e Ele sabia Seu porquê.

A Lição De Davi E Golias

Uma das minhas histórias favoritas de alguém que sabia o que queria e depois pensou e agiu por conta própria para conseguir, é a história da luta corajosa de Davi contra Golias. Eu sempre me senti semelhante a Davi. Como a filha mais nova da minha família, eu era a menor. Além disso, como Davi, procurei objetivos grandes e assustadores que pudessem intimidar, como Golias. Assim como as pessoas ao redor de Davi duvidaram e o desencorajaram, as pessoas me disseram que eu não poderia alcançar alguns objetivos simplesmente porque eles eram grandes demais.

Imaginem quanta oposição Davi enfrentou. Enquanto tentava reunir coragem para enfrentar um gigante, encontrou resistência de seus próprios compatriotas, que não acreditavam nele. Através de sua fé, Davi sabia que poderia fazê-lo. Afinal, ele havia derrubado leões e ursos. O melhor de tudo, ele tinha uma coragem tão grande que ele não apenas avançou para enfrentar Golias; ele correu em direção a ele. Davi decidiu por si mesmo o que queria, agiu com coragem, venceu os que duvidavam e depois correu em direção ao seu objetivo e com apenas uma mão, derrotou seu oponente gigantesco.

Por Davi conseguir pensar por si mesmo, ele sabia o que queria. Por poder agir por si mesmo, ele criou um plano e usou seu livre arbítrio para o executar com autoconfiança e ousadia. Ao invés de ouvir os pessimistas que pensavam que ele era muito jovem ou não tinha experiência e, ao invés de duvidar de suas habilidades, ele se concentrou no que queria. Ele trabalhou duro, protegeu suas ovelhas matando ursos e leões e, com autoconfiança, correu em direção à realização de seus objetivos. Quantos de nós ouvem os pessimistas e, ao invés de correr em direção ao que queremos, fugimos disso?

 

Confiança Através Da Adversidade

Quando os atletas descobrem o seu porquê e agem com base nele com ousadia, a grandeza acontece. Eu vi uma jogadora começar como uma reserva, sem chance de estar entre as titulares, acabar se tornando não só a melhor jogadora da nossa equipe, mas também a melhor jogadora da nossa conferência e uma das melhores jogadoras do país. Tenho visto bons jogadores, que eram razoáveis, acabarem se tornando All-Americans (prêmio de reconhecimento dos melhores jogadores universitários dos Estados Unidos). Eu vi grandes jogadores realizarem seus sonhos muito antes que achavam que poderiam.

 

Alguns anos atrás, enquanto me reunia com as capitãs da minha equipe antes do começo do ano, perguntei: “O que vocês querem para esse time? O que querem alcançar?"

 

Sem hesitação elas disseram que haviam se encontrado previamente e pensado que os regionais NCAA eram ótimos, mas elas queriam competir o campeonato nacional. Na época, éramos um time em ascensão. Esse seria o primeiro ano que eu tinha minhas próprias jogadoras, a quem eu havia recrutado. Eu não sabia exatamente do que éramos capazes. Mas sabia que se era isso o que elas queriam, poderíamos criar um plano para alcançar. Nós só precisávamos trabalhar muito para conseguir, e ter o comprometimento total de todas. Conversamos sobre o plano de ataque e o apresentamos à equipe. A parte mais importante era que esse era o desejo delas, sua ânsia e sua meta. Meu trabalho era mostrar a elas como alcançá-la e responsabilizá-las pelas coisas que disseram que fariam para conseguir.

Ganhar no golfe é uma coisa muito difícil de se fazer. Você pode ter uma longa carreira, ganhar milhões de dólares e nunca vencer, e ainda assim ser considerado bem-sucedido. Ganhar uma vez por ano como equipe é algo grandioso. As equipes que fazem isso mais de uma vez são a elite.

Neste ano em particular, com o queríamos claramente definido e com o nosso ‘’porquê’’ mais sólido que poderia ser, vencemos cinco dos nove eventos, incluindo o nosso primeiro campeonato desde 1992. Depois da nossa vitória na conferência, fomos para os regionais. Lá não importava o que tínhamos feito anteriormente. Precisávamos nos colocar no top seis no campo, entre dezoito, para avançar para o campeonato nacional. As equipes foram divididas em quatro regiões, e fomos enviadas para a Louisiana, para jogar em um campo de golfe muito difícil, com condições que não estávamos acostumadas. Jogaríamos três rodadas de dezoito buracos para determinar nosso destino.

 

Com uma rodada faltando para ir, estávamos em quinto lugar. Mas ainda tínhamos mais um dia. No último dia, verifiquei onde estávamos depois de nove buracos, o que significava que ainda tínhamos nove buracos pela frente. Nós estávamos umas seis tacadas para trás. No fundo eu sabia que qualquer coisa poderia acontecer, e pensei comigo mesma: "Ok, meninas, se vocês querem ir para os nacionais, então agora é a hora de nos levarem para lá".

Enquanto jogávamos o décimo quinto buraco, nos vi cometermos alguns erros importantes que causaram algumas grandes pontuações. Eu pensei: "Não, não, não!"

 

Mas no placar nós estávamos agora, de alguma forma, empatadas com a equipe à nossa frente. Eu olhei para nossas garotas. Elas estavam calmas, estoicas. Elas pareciam saber exatamente porque estavam ali e o que queriam conquistar. Com um olhar de confiança de que não lhes seria negado o seu objetivo, elas seguiram para o próximo buraco para jogar como se os erros nunca tivessem acontecido.

 

Quando tínhamos três buracos pela frente, a equipe com a qual estávamos empatadas terminou. Agora dependia de nós. Teríamos que fazer com que todas as quatro jogadoras acertassem a tacada nos últimos três buracos para chegar aos nacionais. Este não era um pequeno feito. Nossa jogadora se saiu bem com a pressão do último buraco para garantir o birdie (termo do golf que representa uma tacada abaixo do par) que precisávamos. Quando perguntei o que ela estava pensando, sabendo que teria que esperar quarenta e cinco minutos para que o restante da equipe terminasse, ela disse: "Eu não estava pensando, muito menos respirando".

Agora era a vez das próximas três jogadoras finalizarem bem. Eu estava com a nossa júnior, que acertou sua tacada no greenside bunker (termo utilizado no golfe que representa uma jogada de alta dificuldade) em seu último buraco. Com um difícil up-and-down, ela fez uma leve jogada com curva em  uma distância de dez pés para garantir a nossa liderança de uma única tacada.

Agora tudo o que precisávamos era que nossas duas últimas jogadoras terminassem com um par ou melhor. Todo o lado esquerdo do buraco final neste campo de golfe era água. Se você perdesse para a esquerda, levaria uma penalidade e adicionaria uma tacada à sua pontuação. Mais tarde soubemos que a equipe adversária perdera oito tacadas apenas naquele buraco. Nossa jogadora do ano, na conferência, era a próxima e se viu com uma jogada estressante de cinco metros para salvar o par. Com uma pequena chance de fazê-lo, ela colocou a bola no buraco.

 

Com a nossa jogadora número um para finalizar o jogo, recebemos uma mensagem de texto que ela tinha um putt (termo de jogada do golf) curto para realizar o birdie para nos dar uma vantagem de dois tempos. Mas ela acertou o putt com muita força e fez um improvável putt de três para nos colocar em um empate. Eu a encontrei no centro do campo, no último buraco para realizar o tiro. Ela se sentiu confiante com seu taco de ferro de seis e arrancou. Com o taco de ferro que o pai dela disse ser o melhor da sua vida, ela se aproximou dez pés ou mais acima do buraco. Checamos esse putt de todos os ângulos para nos certificarmos de que sabíamos exatamente como ela deveria jogá-lo. A bola estava encostada em uma borda, e por um ângulo, parecia que a bola iria para a esquerda. Do outro ângulo, parecia que iria para a direita. Então decidimos jogar reto. Quando mais tarde perguntada por que ela sorriu antes de bater o putt, ela comentou: "Porque eu sabia que ia acertar." Assim que o putt caiu e a multidão rugiu, um treinadora adversária chamou de "o momento mais emocionante no golfe que ela já tinha vivido”.

Nós tínhamos agora conquistado nosso objetivo de nos classificarmos para o campeonato nacional. O que foi único nessa experiência é que fomos a primeira equipe da BYU a solicitar que a NCAA mudasse seu campeonato nacional, já que uma das rodadas era disputada no domingo. As meninas lidaram com isso como profissionais e colocaram o golfe feminino da BYU no mapa. Elas definiram o que elas queriam. Todos os dias elas trabalharam para chegar um pouco mais perto desse objetivo. Elas se lembravam de seus “porquês” todos os dias e continuavam com convicção, mesmo com a adversidade, para finalmente conquistarem seu objetivo. E depois nós celebramos à verdadeira moda BYU brindando nossos leites com chocolate em uma Louisiana Waffle House ‪às 2 da manhã.

Seu Direito Nato Divino

​Tornar-se um campeão na vida é descobrir o seu porquê, aprender a pensar e agir por si mesmo e usar seu arbítrio para criar a vida que você deseja. Parafraseando as palavras de Bob Rotella, você é o autor de sua própria história. O que você escreve é com você. Você vai assumir o controle do seu direito nato divino e “ser heróico ou apenas alguém tentando sobreviver? Você será a estrela ou alguém sentado no final do banco? ”5 Somos livres para escolher como viver nossas vidas. “Somos livres para escolher o que vamos pensar sobre nós mesmos.” 6 Ninguém pode nos impedir - como diriam os millennials (geração Y) - de viver nossa melhor vida. No entanto, muitas pessoas preferem não viver sua melhor vida. Elas estão escolhendo acreditar que não têm uma chance, que a competição é melhor, mais difícil e mais qualificada do que elas. Estão escolhendo acreditar que não nasceram para ter sucesso. "Eles estão escolhendo serem medíocres."7

Você escolhe. Você será o dono da sua própria vida ou permitirá que alguém a possua?

“Ajude Seu Companheiro De Equipe Primeiro”

Temos um ditado em nossa equipe que diz assim: "Ajude seu colega de equipe primeiro". Por quê? Porque estamos todos juntos nessa. Nós não podemos vencer por nós mesmos. Temos que vencer como equipe. Não nos faz bem ver nosso companheiro de equipe se debater enquanto sabemos como ajudá-lo. Nós construímos confiança, lealdade e força entre os colegas de equipe quando damos de nós mesmos para melhorá-los. E assim é com a vida. Quando se trata de vida, não importa quem é mais forte, mais rápido, mais inteligente ou mais bonito; quem tem os filhos mais talentosos; ou quem tem mais coisas. Às vezes nos esquecemos do nosso porquê e do nosso propósito e agimos com base no que outras pessoas pensam e fazem quando nos colocamos em competição com pessoas que não são uma ameaça ao nosso destino eterno.

 

Quando nos tornarmos conscientes de que toda alma na Terra é igual, que nenhuma alma é maior do que qualquer outra, esperançosamente nos lembraremos do nosso porquê, agiremos de acordo com ele e ajudaremos os outros a descobrirem seus porquês e a agirem de acordo com ele. Como Jon Gordon disse: “Você está aqui por uma razão. Você tem um propósito e você deve vivê-lo e compartilhá-lo”.8

 

Sim, seu colega de quarto é incrível. Embora possa parecer para você que seu vizinho tem tudo sob controle, uma coisa permanece a mesma: você tem exatamente o mesmo potencial que eles. Sim, eles são bons, mas você também é. Você tem a mesma capacidade de pensar e agir por si mesmo. Você tem a mesma capacidade de fazer escolhas. Você tem a mesma capacidade de trabalhar o máximo que pode e tem a mesma capacidade de acreditar em si mesmo. Então, levantem-se, vocês “leais Cougars” e, quando se trata de esportes, “lancem seu [maior] desafio ao inimigo.”9 Mas quando se trata de vida, lembre-se, “o objetivo mais nobre da vida é se esforçar para viver para tornar as outras vidas melhores e mais felizes.”10

 

Quero incentivá-los hoje a começarem a pensar e agir por si mesmos. Encontrem suas paixões. Descubram o que vocês realmente querem na vida. Descubram os seus porquês. Então vão trabalhar agindo por si mesmos para criarem a vida que vocês desejam. Conhecer, entender e descobrir o seu porque é poderoso. Agir sobre isso é mudança de vida.

Lembrem-se, se há algo em suas vidas de que vocês não gostam, vocês tem o poder de mudar isso. Oro para que tenhamos a força para sermos quem fomos destinados a ser: pessoas mais cristãs, que pensam e agem por nós mesmos e vivem as vidas que deveríamos viver.

Eu digo essas coisas humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Carrie Roberts.jpg

Carrie Roberts, Treinador de Golfe feminino na BYU, delivered this devotional. 

Ana Carolina Teixeira
Ana Carolina Teixeira