O Poder de Mudar

RUTH L. RENLUND
Esposa de Dale G. Renlund, Quórum dos Doze Apóstolos
3 de dezembro de 2019 • Devocional

 

Talvez devêssemos refletir sobre o que pode e deve acontecer conosco quando nos ligamos ao nome de nosso Salvador. Ao fazermos isso, nós também podemos mudar.

Bom dia, irmãos e irmãs, é uma grande satisfação estar aqui com vocês hoje. Agradeço pela bela música, que cantou louvores ao Pai Celestial pelo nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo.

 

O mundo em que foram criados e vivem hoje está cheio de super-heróis. Eles estão nas telas de cinema e televisão, enchem as páginas das histórias em quadrinhos e dominam grande parte de nossa cultura popular. Agora, talvez vocês tenham participado de conversas com amigos, tentando identificar qual é o super-herói favorito de vocês e qual superpoder vocês mais gostariam de ter. 

 

Talvez vocês queiram ser a Mulher Elástico, com a capacidade de alcançar lugares afastados e abraçar uma sala cheia de pessoas. Ou talvez o Super-homem seja mais o seu estilo, com visão, agilidade e velocidade sobre-humanas. Quem poderia não usar isso na maioria dos dias?

 

Bem, esses personagens e seus poderes são, obviamente, fictícios. Mas você já se perguntou qual é o seu "superpoder" espiritual? Você pode ter um superpoder maior que o de qualquer poder fictício já concebido. Você pode ter o poder de Deus em sua vida - o superpoder supremo e muito real.

 

Na conferência geral de outubro de 2019, o Presidente Russell M. Nelson ensinou que o poder de Deus flui dos convênios do sacerdócio e que entender isso mudará sua vida.1 O poder de Deus, o poder da divindade, é o poder de mudar. Com a ajuda de Deus, podemos mudar de mulheres e homens movidos por desejos carnais e preocupações egoístas para mulheres santas e homens santos, preparados para entrar no reino de Deus. Mudamos pouco a pouco fazendo e cumprindo convênios do sacerdócio. Os convênios do sacerdócio são a maneira pela qual recebemos a Expiação do Salvador em nossa vida.

 

Vamos considerar, por um momento, o poder que recebemos por meio do convênio do batismo e dos convênios sacramentais. Quando somos batizados, nos comprometemos a ser discípulos de Jesus Cristo e a ser membros de Sua Igreja. Nosso entendimento do que significa ser discípulo de Jesus Cristo aumenta quando nos preparamos para tomar e tomamos dignamente o sacramento. As orações oferecidas no sacramento a cada semana nos ajudam a entender que comer do pão e beber da água são mais do que renovar nosso convênio batismal. Testemunhamos novamente que "desejamos tomar" Seu nome sobre nós "e recordá-lo sempre  e guardar os mandamentos que Ele” nos deu. Quando fazemos esse convênio, temos a promessa de que podemos “ter sempre” conosco “o Seu Espírito”.2

 

Podemos receber o poder e o encorajamento para mudar ao testemunharmos a Deus, nosso Pai, que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo. Quando tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo, nos identificamos com Ele como Seus discípulos. Nos ligamos ao Seu nome. Ligarmo-nos ao Seu nome nos ajuda a nos identificarmos com Ele e nos modifica à medida que assumimos Seus atributos e características.

 

Deixem-me explicar como essa mudança pode acontecer com um exemplo envolvendo um homem que mudou sua atitude e comportamento porque seu nome foi ligado ao de Russell M. Nelson. Há pouco tempo, o Élder Renlund e eu tivemos a oportunidade de participar de uma reunião especial realizada pelo presidente da Universidade de Utah. Uma posição especial estava sendo criada no departamento de cirurgia que estava sendo financiado por doações financeiras significativas de muitas pessoas. Tal posição acadêmica é chamada de cadeira cativa. Esta cadeira cativa foi designada para a divisão de Cirurgia Cardiotorácica e estava sendo nomeada ao Russell M. Nelson e sua falecida esposa, Dantzel W. Nelson. A grande doação financeira da posição, ou da cadeira, garante que qualquer pessoa que  seja escolhida para ocupar o cargo terá financiamento para suas atividades de pesquisa em perpetuidade. É uma grande honra e benefício para quem é designado para ocupar a cadeira e uma honra a quem ela for nomeada.

 

Na noite da criação oficial dessa cadeira cativa de cirurgia cardiotorácica, a primeira pessoa nomeada para o cargo especial, Dr. Craig H. Selzman, se dirigiu aos que já estavam reunidos.  Dr. Selzman é um renomado professor de cirurgia da Universidade de Utah e presidente da divisão de Cirurgia Cardiotorácica. Ele é um homem sábio e maduro que não é da nossa fé. Suas observações foram inspiradoras e demonstraram tanto um profundo respeito pelo Dr. Russell M. Nelson, como também a humildade do próprio Dr. Selzman.

 

Dr. Selzman explicou que alguns dias antes ele havia operado o dia todo. À noite, antes de voltar para casa, ele retornou à unidade de terapia intensiva para verificar os pacientes que operara no início do dia. Depois de examinar um dos pacientes, o Dr. Selzman percebeu que esse paciente precisava voltar para a sala de cirurgia. Ele ficou frustrado. Ele ficou descontente com a situação. Ele ficou desapontado porque teria que passar mais uma longa noite no hospital.

 

Dr. Selzman explicou que, quando está frustrado e infeliz, sua equipe cirúrgica às vezes percebe, e isso também os afeta. Nesse momento, ao invés de ceder às suas emoções e à atitude frustrada, ele refletiu sobre o fato de que seria nomeado para a cadeira Russell M. Nelson em Cirurgia Cardiotorácica no final daquela semana. Ele ponderou que o Dr. Nelson era conhecido como cirurgião que havia sempre sido um cavalheiro. Ele estava sempre no controle de suas emoções, sempre no controle de sua sala de operações e era sempre profissional, gentil e atencioso com sua equipe de operações. O Dr. Selzman pensou que, como ele ocuparia uma posição em homenagem ao Dr. Nelson, ele deveria tentar seguir o exemplo do Dr. Nelson. Ele decidiu mudar de atitude. Se acalmou e avisou a equipe operacional de maneira atenciosa. Então ele foi para a sala de operações, em controle de suas emoções, e como resultado, as atuações e resultados foram melhores.

 

Enquanto o Dr. Selzman falava, fiquei impressionada em como o simples fato de vincular o nome dele ao nome de Russell M. Nelson o fez mudar de atitude e de comportamento. Ao continuar, Selzman disse que tentaria ser mais parecido com o Dr. Nelson.

 

Talvez devêssemos refletir sobre o que pode e deve acontecer conosco quando nos ligamos ao nome de nosso Salvador. Ao fazermos isso, também podemos mudar. Ganharemos poder —poder sobre-humano —o poder divino de nos voltarmos para o nosso Salvador e nos tornarmos mais parecidos com Ele. Podemos ter o poder de resistir à tentação, de sermos protegidos contra o  maligno, de aceitarmos e cumprirmos chamados desafiadores, de discernirmos a verdade do erro, de tomarmos decisões críticas em nossas vidas que nos manterão no caminho do convênio, para encontrarmos alegria independentemente de nossas circunstâncias, para vasculharmos entre as muitas atividades da vida e escolhermos aquelas coisas que são mais elevadas e mais sagradas.

 

Sou muito grata pelas ordenanças e convênios do sacerdócio que nos investem de poder para sobreviver espiritualmente a essa existência mortal e nos permitem mudar e nos tornarmos mais como nosso Salvador. Ao começarmos a mudar e assumir Suas características, também experimentaremos em nossas vidas os frutos de Sua Expiação: maior paz, maior caridade, maior amor e mais gratidão por nosso Salvador, Jesus Cristo. Eu sei que isso é verdade. Este é o poderoso milagre que é oferecido a cada um de nós através dos convênios do sacerdócio: o poder de mudar e de se tornar mais semelhante a Deus. Digo isso em nome de nosso amado Salvador, Jesus Cristo, amém.

NOTES:

1. See Russell M. Nelson, “Spiritual Treasures,” Ensign, November 2019.

2. D&C 20:77.

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