O Poder Transformador Dos Convênios

Ellie L. Young

Professor Associado de Psicologia Clínica e Educação Especial

Junho 11, 2019

Néfi escreveu no primeiro versículo do Livro de Mórmon: “Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais.”1 Esta passagem me diz algo bastante cativante sobre Néfi: ele reconheceu que seus pais contribuíram para quem ele era. Eu me pergunto se Néfi estava nos ensinando que somos profundamente influenciados por nossos relacionamentos. Embora eu não seja Néfi, quero reconhecer que estar aqui hoje, é um resultado de pais bons e amorosos e de um clã solidário, que significa o mundo para mim.

Wyoming é o lar de meus ancestrais. Eu cresci e me formei no ensino médio em Cody. Meus pais e avós cresceram em Star Valley. Quando conheço alguém do Wyoming, penso imediatamente neles como um espírito parente ou um amigo há muito perdido.

Muitas vezes me vejo tentando convencer os alunos de psicologia da escola que ensino a trabalhar em Wyoming. Psicólogos escolares trabalham individualmente com estudantes em dificuldades, consultam frequentemente com professores e pais e ajudam a implementar uma variedade de apoios acadêmicos e comportamentais para os alunos. Pela forma como a educação é financiada em Wyoming, os psicólogos escolares dos distritos tendem a ter menos casos e recursos generosos para atender às necessidades das crianças a  quem eles servem.

A qualidade de vida em Wyoming inclui ar limpo, montanhas incríveis, ótimo esqui, e nada de  trânsito, exceto quando os desfiles de 4 de julho tomam conta da rua principal, e os turistas têm que esperar até o fim do desfile. Wyoming tem amplos espaços abertos e nenhum imposto de renda estatal, um belo templo localizado na esquina do Star Valley e, honestamente, pessoas que são como o sal da terra.

Quando viajamos para Wyoming e atravessamos a fronteira do estado, minha alma parece um pouco mais à vontade e sussurra “Você está em casa. Esse é o seu povo. Tudo está certo no mundo”.

Assim como me sinto em casa e conectads ao Wyoming e às pessoas de lá, os convênios do evangelho, conectam-nos uns aos outros e especialmente ao Salvador. O Presidente Russell M. Nelson compartilhou essa ideia sobre os convênios na conferência geral de outubro de 2011. Ele disse:

Quando nos damos conta de que somos filhos do convênio, sabemos quem somos e o que Deus espera de nós. Sua lei está escrita em nosso coração. Ele é nosso Deus, e somos Seu povo. 2

Convênios Nos Ligam à Cristo

Estar no caminho do convênio pode nos proporcionar um sentimento de pertencimento e conectividade, especialmente, uma conexão com o Salvador. Os convênios nos ligam à Cristo e, por estarmos ligados à Ele, podemos nos tornar como Ele.

Estar ligados à Cristo significa que O conhecemos. Sentimos Seu amor reconfortante. Sentimos Sua mão orientadora em nossas vidas. Porque sentimos Seu amor incrivelmente generoso e compassivo, temos o desejo de amar como Ele faz.

Quando eu realmente sinto o amor de Deus, acho que estou mais inclinada a me concentrar em fortalecer àqueles que me rodeiam. Quando sinto esse amor, ser menos crítico parece um pouco mais fácil, e ser generoso ao invés de mesquinho, parece ser a coisa certa a fazer.

A ideia de estar conectado à Cristo é explicada por Adam S. Miller em seu livro A graça não é o Segundo Plano de Deus. Miller escreveu: “Apenas uma disposição em confiar na promessa de Deus pode fazer de você a semente de Abraão”3. Miller enfatizou que confiar em Deus é parte vital de guardar os convênios.

Como podemos confiar em Deus se não O conhecemos? Nós certamente podemos conhecer a Deus de forma acadêmica, mas isso parece um tanto unidimensional e pouco atraente para mim. O Salvador quer algo muito mais gratificante para nós. Ele quer que compartilhemos nossos corações com Ele- nossos corações por completo, até mesmo as partes incrédulas, inconscientes, egoístas, preocupadas ou chorosas de nossos corações.

Quando realmente compreendo o amor de Deus, entendo que Ele aceitará meu coração lamentoso e duvidoso. Ele me ajudará a tornar-me cada vez mais compreensivo de Seus caminhos. Ele me ajudará a tornar-me mais compassivo e caridoso com o passar do tempo. Nos modificamos ao construirmos uma relação inabalável de convênio com o Salvador.

A pesquisa psicológica está repleta de evidências de que, durante a terapia, um dos fatores-chave que cria a mudança no cliente é a relação positiva, calorosa e confiante entre o terapeuta e o cliente. Essa confiança não é um evento único. Muitos terapeutas defendem que, para que a mudança e a cura ocorram no aconselhamento, a confiança deve se aprofundar com o passar do tempo. À medida que essa confiança se aprofunda, as partes frágeis, assustadoras e dolorosas do que nos leva ao aconselhamento podem ser gentilmente descobertas e exploradas. Isso permite que a cura possa começar e uma mudança duradoura aconteça.

Esse relacionamento seguro e de confiança que facilita o crescimento significativo e o aconselhamento é exatamente o que Cristo nos oferece em um relacionamento de convênio. Ele promete que tomará as partes frágeis, assustadoras e dolorosas de nossas histórias e nos ajudará a compreender o que está acontecendo. Semelhante ao trabalho de um psicólogo eficaz, o Senhor nos promete que nos ajudará a encontrar novas formas de percorrer o que é difícil. E, porque Cristo é o conselheiro especialista, Ele é sempre compreensivo, receptivo e disposto a ouvir nossas histórias repetidas vezes.

Convênios Nos Transformam

A irmã Bonnie Parkin, ex-presidente geral da Sociedade de Socorro, disse: “Os convênios — ou seja, as promessas solenes que fazemos com o Pai Celestial, são essenciais para nosso progresso eterno. Passo a passo, Ele nos ensina a tornar-nos semelhantes a Ele, convidando-nos a participar de Sua obra.”4

A irmã Parkin enfatizou como os convênios nos transformam. Cristo gentilmente nos ensina a amar como Ele o faz. Durante o ministério terreno de Cristo, Ele repetidamente estendeu as mãos para aqueles que estavam sofrendo, aqueles que eram diferentes e aqueles que estavam às margens. Nossa tarefa de guardar os convênios parece ser a mesma: amar como Cristo amou. E para mim, isso começa com a suspensão de julgamento.

Como missionária em Louisiana, aprendi uma lição muito valiosa sobre amar de maneira piedosa. Sou profundamente grata por ter servido com companheiras, membros, um presidente de missão e aqueles que estavam aprendendo o evangelho. Eles ensinaram-me lições que enriqueceram minha vida muito além do tempo que passei como missionária de tempo integral.

Enquanto servia com aquela companheira, fiquei irritada porque minhas experiências não eram o que eu estava esperando do que é frequentemente retratado como “os melhores dois anos [ou dezoito meses] de sua vida.” Durante minha entrevista agendada com o presidente da minha missão, compartilhei minha frustração com minha companheira e minha falta de compreensão de como resolver o problema. Sua resposta incrivelmente sábia foi que eu deveria tentar vê-la como Deus a via. Enquanto eu lentamente implementava sua admoestação, a ideia de limpeza dela não parecia me incomodar tanto. Comecei a apreciar sua natureza descontraída, e passei a considerar flexibilidade dela com algumas regras da missão, como pessoa forte no foco.

Refletir sobre essa experiência agora, me ajuda a ver que Deus se importa com quão bem amamos. As regras são importantes e têm o seu lugar, mas certamente há momentos em que precisamos considerar se estamos priorizando as regras acima das pessoas.

Convênios Guiam Nossas Ações

No livro Ao Púlpito: 185 Anos de Discursos Proferidos por Mulheres Santos dos Últimos Dias, há um registro de Matilda Dudley Busby, que ajudou a organizar a Sociedade de Socorro da Décima Terceira Ala de Salt Lake City em 1854. Matilda sugeriu um “convênio” para os membros da Sociedade de Socorro que era semelhante ao convênio sugerido por Emma Smith na Sociedade de Socorro de Nauvoo. O convênio pedia às irmãs que se unissem e não falassem mal umas das outras ou dos líderes da Igreja. Esse convênio era uma maneira de as irmãs estabelecerem relações de confiança entre si. Esse convênio da Sociedade de Socorro estava pedindo às irmãs que apoiassem umas às outras.5 Podemos apoiar umas às outras e ainda experimentar conflitos, mas esse tipo de convênio pede que resolvamos os conflitos de maneira respeitosa.

Esse tipo de convênio parece tanto difícil como factível. Ao invés de julgar, posso reconhecer que não conheço o trauma oculto, as mágoas ou os medos dos outros. Em vez disso, posso oferecer curiosidade e compreensão gentis. Posso reconhecer que posso não entender para onde a jornada deles os levou ou as contingências que estão se desenrolando em suas vidas, mas eu os apoiarei.

Por exemplo, como psicóloga escolar, muitas vezes trabalhei com jovens que apresentavam dificuldades comportamentais - aquelas crianças que mesclavam ataques de cólera e colapsos na escola. Um princípio orientador que tentei lembrar enquanto trabalhava com essas crianças era que seu comportamento explosivo ou desadaptativo fazia sentido para elas. Quando explosões comportamentais aconteciam, a criança provavelmente não via nenhuma outra opção. Meu objetivo era tentar ensinar-lhes maneiras de regular suas emoções e, em seguida, encontrar maneiras saudáveis de resolver problemas. Quando ouvia e tentava entender como o comportamento fazia sentido para a criança, descobri que tinha mais probabilidade de ajudá-la a aprender e praticar comportamentos novos e eficazes. E então comemorávamos o progresso deles

Convênios Nos Permitem Construir Relacionamentos

Praticar a aceitação e suspender o julgamento faz parte de estar no caminho do convênio, porque eles são necessários na construção de relacionamentos amorosos.

No livro de Mosias, aprendemos novamente que os convênios, especificamente nossos convênios batismais, nos ensinam como cuidar uns dos outros. Em Mosias 18: 8–9, lemos:

E aconteceu que ele lhes disse: Eis aqui as águas de Mórmon (pois assim eram chamadas); e agora, sendo que desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

Sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que vos encontreis, mesmo até a morte; para que sejais redimidos por Deus e contados com os da primeira ressurreição, para que tenhais a vida eterna.

Até o falecimento da minha mãe, cerca de três anos atrás, eu não percebera o que significava “chorar com os que choram.” Quando minha mãe partiu, nossa família sentiu uma efusão de amor de vizinhos, familiares e amigos. Não tenho certeza se aqueles que choraram conosco entenderam como a bondade deles nos confortou tão profundamente.

Minha mãe faleceu em uma noite de segunda-feira. Na tarde daquele dia, depois de passar o fim de semana no hospital muito pequeno de Afton, Wyoming, minha mãe ficou emocionada ao receber alta e voltar para casa. Meu marido, Frank, e eu, havíamos passado o fim de semana ajudando meu pai e visitando minha mãe e havíamos partido para Utah naquela tarde, depois de termos acomodado minha mãe em casa.

Naquela noite a Presidente da Sociedade de Socorro estava visitando meus pais quando minha mãe aparentemente sofreu outro derrame. A Presidente da Sociedade de Socorro ficou com meu pai até a ambulância chegar. Ela contatou o bispo, que então se encontrou com meu pai no hospital. Minha mãe não pôde ser reanimada na sala de emergência e lá faleceu.

O bispo de meus pais ficou no hospital com meu pai por pelo menos três horas, até que Frank e eu pudéssemos voltar para Star Valley. O bispo ficara com meu pai para que ele não tivesse que ir para casa, para uma casa vazia, sozinho, à meia-noite. Então, nos dias seguintes, o bispo nos ajudou a planejar um funeral. A Sociedade de Socorro planejou um almoço adorável para nossa família depois do funeral, e elas alegremente nos serviram o tradicional prato com presunto e as batatas funerárias.

Havia outras maneiras pelas quais as pessoas choraram conosco. Um ou dois dias depois da morte de minha mãe, alguém trouxe uma bandeja generosa de frios, queijos e patês que lambiscávamos diariamente. Outra pessoa comprou aquele tipo de bacon bem grosso e saboroso e ovos frescos da fazenda. Amigos e familiares vieram de longe para o funeral, mesmo não tendo sido fácil ou conveniente. Outros enviavam lindas flores e plantas, e graças à boa mão de Frank para o cultivo, elas ainda estão vivas e me lembram da generosidade de amigos queridos. Em minhas conversas com essas pessoas doces, seus atos de serviço não parecem ter sido um grande sacrifício. Seus atos generosos e graciosos nos ajudaram a sentir o amor do Salvador. Sentimos que não estávamos sozinhos em um momento de profunda tristeza.  Seus esforços para manterem seus convênios e para nos consolar de maneiras semelhantes às de Cristo ainda significam muito para mim.

Talvez a essência de ser um santo que guarda os convênios não seja nada enorme ou grandioso. Ao invés disso, é o pequeno e simples ato de estar presente com amor e empatia.

Os convênios batismais, conforme ensinados no Livro de Mórmon, essencialmente nos pedem para “estarmos lá”, uns para os outros, estarmos cientes das necessidades uns dos outros e cuidarmos uns dos outros da melhor maneira que pudermos.

Convênios Aprimoram Relacionamentos

Assim como nossos convênios batismais nos guiam na construção de relacionamentos, os convênios do templo também se concentram nos relacionamentos. James E. Talmage ensinou:

As ordenanças da investidura incluem certas obrigações por parte do indivíduo, tal como o convênio e promessa de observar a lei da perfeita virtude e castidade, de ser caritativo, benevolente, tolerante e puro; de devotar tanto os talentos como os meios materiais à propagação da verdade.6

James Talmage ensinou que os convênios nos pedem “para manter a devoção à causa da verdade . . . e buscar, de todas as maneiras, contribuir para a grande preparação para que a Terra esteja pronta para receber seu Rei, o Senhor Jesus Cristo”.7

Os convênios do templo nos pedem para edificar o reino de Deus, que é compartilhar a alegria e a paz do amor do Salvador. Dessa perspectiva, não podemos ser caridosos, benevolentes, tolerantes e puros no vácuo; relacionamentos são onde praticamos ser benevolentes, tolerantes e puros. 

Não há como qualificarmos a quem precisamos dedicar tanto nossos talentos como os meios materiais. Nossos convênios significam que devemos tratar uma pessoa sem-teto com dignidade e que podemos dar prioridade a alguém no trânsito.

A parábola do Bom Samaritano nos ensina que podemos ser caridosos e benevolentes com aqueles que são diferentes e desconhecidos.8 Também nos ensina a ter limites saudáveis. Ele fez o que pôde por dois dias para cuidar do viajante que havia sido espancado, e então ele confiou que outros poderiam continuar cuidando do viajante. Podemos ser benevolentes e ter limites saudáveis.

Fazer e cumprir os convênios do templo e do batismo é algo a ser praticado, e praticar significa que podemos vir a cometer erros. Nós não praticamos algo que sabemos perfeitamente. Recentemente escutei um podcast no qual a locutora notou que seu GPS não a repreende ou grita quando ela faz uma curva errada, mas simplesmente recalcula a rota mesmo depois de ela fazer várias curvas erradas. Da mesma forma, quando fazemos uma curva errada no caminho do convênio, Cristo simplesmente nos ajuda a recalcular a rota para que possamos chegar ao nosso destino.

Alguns podem tratar o convênio associando-o a urgência e medo, mas eu aconselho a todos que isso nem sempre funciona bem. E se pudéssemos aceitar nossos esforços em manter os convênios como uma verdadeira jornada, permitindo uma sensação de satisfação utilizando tempo e energia para, também, sentir o cheiro das rosas? Parece provável que um senso de urgência e medo possa nos distrair, e possivelmente nos cegar, de construir efetivamente um relacionamento firme no convênio. Esse senso de urgência e medo pode tornar difícil de identificar e compreender as necessidades daqueles de quem podemos cuidar, e daqueles que precisamos elevar e confortar.

Convênios São Pessoais

A Irmã Rosemary Wixom, ex-Presidente Geral da Primária, ensinou sobre os convênios em um devocional da BYU, ela disse: 

“Um convênio é pessoal. É tão pessoal que nos é dado individualmente, e frequentemente nosso próprio nome é dito em conjunto com a ordenança que acompanha o convênio. Ao viver nossos convênios com a ajuda do Senhor, Ele nos esculpe em uma obra-prima.”9

A irmã Wixom nos ensina duas idéias muito importantes: (1) os convênios são individuais; e (2) convênios nos transformam para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo.

Refletir Nosso relacionamento Individual com o Salvador

A aparência externa de fazer e renovar convênios parece a mesma para cada um de nós. Se observássemos um ao outro tomando o sacramento, pareceria basicamente o mesmo. Similarmente, fazer os convênios do templo parece o mesmo para cada um de nós. Mas porque nossos convênios são relacionais e refletem nosso relacionamento individual com o Salvador, a maneira como eu ando no caminho do convênio é distinta para mim, assim como a maneira como você anda no caminho do convênio é distinta para você.

Eu amo o fato de que aprendemos no templo que as coisas vivas são criadas para cumprir a medida de sua criação. Deus criou-me para cumprir a medida da minha criação - não a medida da sua criação ou da criação de qualquer outra pessoa.

Sou profundamente grata pela revelação pessoal que recebi que me guiou em minha carreira e em meus esforços para ser esposa, mãe, filha, irmã, amiga, colega, professora, educadora e psicóloga.

Meu caminho no convênio levou-me a buscar a educação e uma carreira na qual sirvo aos filhos do Pai Celestial. Eu me formei em psicologia pela BYU poucos meses após o nascimento de nossa filha Erin. Algumas semanas depois da formatura, nos mudamos para o Kansas, onde Frank trabalhou para cumprir seus objetivos de carreira. Cinco anos depois, Frank foi transferido para o Missouri. No Kansas e no Missouri, trabalhei em uma série de cargos de período integral e meio-período como psicóloga escolar. 

Depois de trabalhar por aproximadamente 10 anos, Frank e eu cuidadosamente oramos e decidimos então que eu me candidataria a programas de doutorado em psicologia escolar; descobriríamos nossos próximos passos assim que eu recebesse as ofertas dos programas de graduação.

Depois de ser admitida no programa de doutorado em psicologia escolar na Universidade do Sul da Flórida, vendemos a maioria de nossos pertences e fomos para Tampa com nossos três filhos. Ao me esforçar para completar os estudos, o Senhor manteve Seu convênio de consolar aqueles que precisavam de consolo. As irmãs da nossa ala de Tampa ajudaram a cuidar de nossos filhos. Uma irmã deixou-me usar sua impressora a laser para imprimir a cópia final da minha dissertação. Outras nos alimentaram e nos entretiveram. Todas mantiveram seus convênios de cuidar dos outros. Frank foi abençoado por encontrar um trabalho significativo que mais tarde abriu importantes portas para ele na Universidade Utah Valley. Eu aprendi que Deus se importa profundamente com os dados de teses e dissertações. Como parte do meu caminho no convênio, essa experiência me ensinou novamente que Deus não falhará conosco. Ele abriria portas para nós. E Ele definitivamente me confortou quando a tarefa parecia tão difícil e interminável.

O seu caminho no convênio pode parecer, e parecerá, diferente do meu. E apesar de nossos caminhos no convênio serem diferentes, há muita coisa que é semelhante. O Salvador está bem ciente de nossas necessidades à medida que tropeçamos e percorremos nossos diferentes caminhos no convênio. Ele realmente se alegra com qualquer progresso que façamos. Ele está lá para segurar nossas mãos e nossos corações quando se torna assustador e arriscado e quando não temos a menor idéia sobre o que fazer a seguir.

Transformando-Nos para Nos Tornarmos Mais Como Cristo

A segunda ideia que a irmã Wixom nos ensina é que manter os convênios é transformador. É fácil pensar em convênios como uma transação: se eu guardo este mandamento, então recebo esta bênção. Entretanto, eu suspeito que haja muito mais em cumprir mandamentos do que criar um balanço entre as leis que eu mantive e as bênçãos que Deus me deve. Talvez as bênçãos que recebemos por sermos obedientes seja entender e conhecer a Deus mais plenamente e sentir Seu amor mais profundamente. Talvez a transformação seja aprender a alcançar um grau de abundância e graça em todos os nossos relacionamentos. 

Se os convênios são transformadores, então talvez meus convênios batismais possam significar algo diferente para mim hoje do que significavam quando eu tinha 8 anos de idade.  Os convênios que fiz no templo poderiam significar algo maior do que quando eu estava me preparando para uma missão e para me casar. 

Fui batizada e confirmada como membro da igreja quando era uma criança com 8 anos de idade e tenho que admitir que, embora tivesse sido bem preparada por meus pais, compreendi os convênios de maneiras concretas: eu tinha que ser obediente para ter o Espírito Santo comigo. Tinha que lembrar de Jesus, manter a Palavra de Sabedoria, continuar indo à igreja e fazer minhas orações. Não consigo lembrar do sacramento sendo tão significativo quando era criança.

Pouco depois que nossa filha nasceu, eu a estava segurando durante o sacramento e estava tentando pensar em tipos de reflexões sacramentais. Percebi que a expiação não era apenas para mim; o amor de Cristo se estendia à minha linda filha e ela também seria abençoada eternamente pelo amor Dele. Percebi que meu instinto maternal de amar e proteger essa criança não era apenas sobre mim e essa criança; Cristo a amava ainda mais do que eu jamais poderia. Eu senti profundamente o amor Dele por ela.

Da mesma forma, quando fui ao templo pela primeira vez antes de minha missão, os convênios foram significativos, mas eu tinha apenas 21 anos e minha experiência de vida era bastante limitada. Agora, como uma mulher de meia-idade, chorei de gratidão pelo véu e fiquei impressionada com a forma como o templo me dá uma perspectiva eterna quando os problemas diários do mundo parecem tão complicados. 

O Caminho do Convênio

Um querido amigo compartilhou comigo que a cada semana, quando tomamos o sacramento, estamos realmente fazendo e renovando nossos convênios batismais, porque somos pessoas novas e diferentes a cada semana, quando tomamos o pão e a água. 

Talvez quando tomamos o sacramento a cada semana ou frequentamos o templo, podemos nos perguntar: “Como meus esforços para guardar meus convênios me transformaram? Como eles me ajudaram a conhecer, aprender e amar a Deus de maneiras novas e diferentes? Como meus convênios me ajudam a amar os outros em abundância? 

Como nós caminhamos no caminho do convênio - confortando os outros, fortalecendo aos outros e construindo relacionamentos - não é um caminho que seja facilmente avaliado por uma lista de controle. Avaliar meu progresso nesse caminho é uma consideração qualitativa, aberta e descritiva de quão bem estou amando aos outros e como estou construindo um relacionamento de confiança e alegria com Deus. 

Em 2 Pedro 3: 9 lemos: 

“O Senhor não retarda a sua promessa, como alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”.

Não importa onde estamos no caminho do convênio, independentemente de nosso ritmo ou progresso, Deus nos ama e Ele não está disposto a deixar nenhum de nós perecer.

Ao viajarmos pelo caminho do convênio, a longanimidade do Senhor é evidência de Sua paciência e Seu desejo de percorrer o caminho conosco. Estamos ligados a Ele, e Ele está ligado a nós.

Para encerrar, quero compartilhar um poema muito breve que resume para mim o que significa viver uma vida de convênio para que possamos nos tornar como nossos Pais Celestiais e o Salvador. Rachel Hunt Steenblik, em seu livro “Mother's Milk”, escreveu isso sobre a Mãe Celestial, e eu desconfio que essa caracterização da Mãe Celestial possa ser sobre cada um de nós. Este é o poema:

 

Perfeição não é o Seu objetivo,

O amor é.10

Este poema me lembra que o propósito do caminho do convênio, ou o caminho rumo à perfeição, é um convênio sobre amar os outros, amar o Salvador e amar profundamente nossos Pais Celestiais. Esse amor nos transforma continuamente, à medida que o buscamos, que confiamos nele, que o sentimos, e à medida que nos esforçamos para compartilhá-lo.

Minha primeira esperança é que cada um de nós tenha sentido o amor de Deus hoje e, se não, que vocês o sintam. Minha segunda esperança é que cada um de nós seja transformado por nossos convênios de amar uns aos outros da mesma maneira que nossos Pais Celestiais e o Salvador nos amam.

Em nome de Jesus Cristo, Amém.

Notes

1. 1 Nephi 1:1.

2. Russell M. Nelson, “Covenants,” Ensign, November 2011.

3. Adam S. Miller, Grace Is Not God’s Backup Plan: An Urgent Paraphrase of Paul’s Letter to the Romans (self-published, CreateSpace, 2015), 48.

4. Bonnie D. Parkin, “With Holiness of Heart,” Ensign, November 2002.

5. See Matilda Dudley Busby, “Thirteenth Ward Relief Society Covenant,” in Jennifer Reeder and Kate Holbrook, eds., At the Pulpit: 185 Years of Discourses by Latter-day Saint Women (Salt Lake City: Church Historian’s Press, 2017), 29–31.

6. James E. Talmage, The House of the Lord (Salt Lake City: Deseret News, 1912), 100.

7. Talmage, House of the Lord, 100.

8. See Luke 10:30–37.

9. Rosemary M. Wixom, “The Covenant Path,” BYU devotional address, 11 March 2013.

10. Rachel Hunt Steenblik, Mother’s Milk: Poems in Search of Heavenly Mother (Salt Lake City: By Common Consent Press, 2017), 75.

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Ellie L. Young, Associate Professor of Clinical Psychology and Special Education, proferiu este discurso.

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